sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A audição das paredes.

Junto a parede escuto vozes,
Palavras as vezes piores que ações,
Fruto de humanos atrozes, por vezes piores que leões,
Que não devoram carne, devoram canções, e das minhas emoções,
O choro dos abandonados, me doem os ouvidos,
O grito dos deixados de lado, me entorpecem os sentidos,
A voz de quem quer ser encontrado, me sinto ressentido,
E quem nunca se sentiu assim, isolado?
Se minha voz já inútil não continuar a gritar,
Mais do que isso e me sentirei fútil, é inútil lutar,
Mas aprendi com seres inexistentes,
Nada desse mundo penetra minha mente,
Porque eu sou pensante, sou sapiente,
E mesmo quando não penso sou intenso,
Por meus sentimentos não serem leves,
Eles são densos e extensos,
As vezes expressos por stencil's,
Grifados e escritos por extensos,
Ainda assim por vezes me alivío,
Não me sinto mais tenso,
Essa é a dádiva de quem a poesia ouviu,
E deve ser por isso que as paredes têm ouvidos,
Se sentir parado, e vendo todos passando,
Esse é o verdadeiro sentimento de perdido,
Alívio das paredes, conexões de redes,
O mundo conectado por palavras com deveres,
Tudo destinado a destruição,
Eu destinado a morrer por um leão.