segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Tarde de tardes.

"Medo de mim"
Aguardo palavras que sempre disse,
Amo a solidão que as madrugadas me dão,
Desentendido sobre qualquer sentimento,
Não sei o que fazer pra ter sua atenção,
Sei que erro contigo,
E nem sei como ainda fala comigo,
Juro que sempre tentei ser o melhor,
Mas que culpa eu tenho se já nasci o pior?
Por eu me afasto e tento mudar,
Pra algum dia eu te ver e te mostrar,
Que o pior dos vivos ainda pode se transmutar,
Transformado, fusão de homem e vida,
Nascendo o homem vivido,
Que veio do homem sentido,
Escrevendo palavras sem sentido,
Que nunca estarão em nenhum livro,
Sem bula e prescrição,
Doses de horror e dose de dor,
Alívio diário na vida que é meu sanitário,
Onde ponho minhas merdas e meus problemas,
E logo após fujo, 
Porque acredito ter visto um atroz,
Atrás de mim, só o escuro de mim mesmo,
E disso que tenho medo,
E disso que fujo,
E por isso me afasto,
Pra não te amedrontar,
Prefiro eu mesmo partir,
Do que você se partir e nunca mais amar.

"Mais frio que Milão"
Carimbado, num lugar distante e frio,
Olho pra baixo e vejo meu peito vazio,
Ainda assim cego com ilusões do passado,
Bato no chão pensando na realidade,
Me agarro as palavras,
Pois são tudo que me resta nessa cidade,
Pessoas que fingem o olhar,
Animais que não param de olhar,
Todos no mundo identificam a dor,
Difícil é parar pra ajudar,
Desse mundo só o que permanece é o horror,
A lei da vida diz, "guarde rancor",
Quase todos a obedecem,
Mas existem alguns transgressores,
Que da lei só levaram o "guarde",
Onde guardam a todos, e guardam a tudo,
Esperando o dia de poder vender,
Aguardando um dia a retribuição do mundo,
Fico tristes por eles por saber que o mundo é caloteiro,
Só paga em moedas e abaixo da inflação,
Transgressores marginais merecem um milhão,
Ninguém sabe onde é essa cidade,
Poderia até mesmo ser Milão,
Mas quem dera ela fosse tão pequena,
Quase do tamanho do buraco em meu peito,
A maldita terra toda,
Sempre tão bruta e xula,
Por isso que amo ser marginal do mundo,
Sendo tratado como errado por quem é imundo,
Acredito estar no caminho certo,
Pra saída desse buraco sem fundo.

"Minha composição"
Mares acendem minha dores,
Montanhas acendem meus amores,
Águas molham minha alma velha,
Ventos secam minha alma velha,
Todos elementos participam de mim,
Porque sou completo e humano,
E sem tudo isso não seria nada,
Não existiria um eu pra ti falar que "Sim",
Sim, nós erramos,
Mas não, não estamos perdidos,
O caminho real é o que machuca,
Sem a dor não aprendemos de quem é a culpa,
Tudo aqui se une para me ensinar lições,
Desde como segurar talheres até derrubar leões,
Humano demasiado humano, eu cheio de emoções,
Sempre me emociono olhando minhas cicatrizes,
Não por lembrar da dor,
Look other side of the door,
Se eu não conseguir evoluir morro,
Mesmo evoluindo morro,
Por isso no meu grande caminho eu corro,
Pra chegar a tempo de dizer palavras bonitas,
Chegando domingo pra tomar birita,
Por favor que seja a mais barata,
Para sorrir de tudo com quem amo,
Dando uma chance até a qualquer barata,
Caminhe no seu caminho,
Pequeno ser no vasto mundo,
Ela assim como eu merece uma chance,
Mas verdadeira e única que algum humano imundo,
Talvez alguém me olhe de cima e me ache asqueroso,
Aspira para as dores que irei causar então,
Inseto no mundo e rei no coração.

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