domingo, 3 de setembro de 2017

Fica aqui comigo.

   Sobre o que escrever quando não me sinto a vontade para falar? Hoje eu me encontrei infeliz sobre viver uma vida que sinto ser a errada. O homem que além de controlar suas virtudes controla também sua queda pode ser considerado dono de sua vida? Sinceramente não sei as resposta, mas algo em mim quer me responder para tentar me sentir menos frustrado com a vida. Vida minha que mal pode ser considerada vida, vida que quase não existe, consolidada em bases que parecem se partir a cada 184 dias, e eu sempre depois de construir um templo meu convido uma alma ou várias para entrar no templo. Algumas já viram minhas outras construções e ainda assim não percebem que agora eu sou diferente, que após a queda daquele passado eu me destruí junto, e já não mais eu, apenas a minha consciência vive. E essas almas que vão passando nos meus templos vão retirando tijolos, alguns retiram uma pilastra, outros já aumentam o tamanho dele e assim meu templo atual vai se modificando junto as almas que eu convido a entrar. Até surgir uma, que como sempre vai destruir, e eu exatamente sei que ela vai ser a culpada, e desdo inicio digo para mim mesmo "cuidado, essa alma parece ser a que vai levar embora sua construção e sua empatia momentânea". Mesmo assim, eu a deixo entrar, eu convido a sentar no chão, e olhar pro interior do meu templo, o mais profundo do meu ser, ali, diante da alma. E eu não quero nada em troca de mostrar isso, só espero me manter em pé, espero que a alma não grite após sair do meu templo sobre a tinta desbotada da parede, ou sobre a falta de mobília que eu gosto, ou simplesmente que a alma não faça meu templo cair por terra. 
  Hoje as bases desse templo foram destruídas, por mim, insatisfeito comigo, com meus sentimentos, e pela primeira vez, a alma que eu pensei que iria destruir meu templo ficou presa sobre os seus escombros. E tudo isso planejado por mim, friamente explodi minha construção, esperando que com isso eu conseguisse fazer surgir um novo templo, uma nova morada, onde eu dessa vez, me vejo perdido por puro egoísmo, peço desculpa a linda alma que talvez eu nunca consiga sua confiança para entrar no meu novo templo, mas eu espero por isso. Algum dia espero que meu amor ainda que imperfeito e fatídico como esse texto te mostre que não quis te magoar, nem me magoar, mas o mundo não liga para o que eu quero. Me vejo usando expressões para justificar minhas ações, mas não são literalmente expressões, minhas afirmações são meus sentimentos declarados em papel, então...Fica aqui comigo.

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