Perdi a conta das vezes que não pude contar as minhas dores,
Nem contar com meus amigos em meio a todas essas dores,
Cada um único como o inseto que devora as flores,
E com a própria essênsia da dor, construi muralhas de amor,
Em meio a gritos de palavras falsas como a própria dor,
Falsas falas para acalmar falsas faces,
Isso parece mais uma frases e não fases,
Minha face nunca foi vista, porquê não tem pudor
E pra mim o que importa é só o momento e a vista, já basta de dor em calor,
Ir além das palavras na atmosfera pra enxerga o formato vida,
E como consequência os macacos homens se tornam homens extraterrestres,
A religião tenta redimir as cabeças e as culturas que cegou,
As famílias e os jovens que não arrebatou, arrebentou,
Segurando relicário, me sinto sicário da verdade,
Quase que sem liberdade, pra mim isso já é mais que vaidade,
Sem respeito e cordialidade, de encontro com o mal da realidade,
Sem apoio pra cabeças as três da tarde,
Sem apoio pra corpo as meia noite, e nem é tão tarde,
Pura estrategia da maldade,
Isso que é liberdade, ser solitário,
Por vezes me sinto preso nas relações que criei,
Mantendo laços preso por laços,
Enquanto as correntes que me seguravam já não existem,
E por qual caminho seguir já não sei,
Eu me sinto como um segredo que não é mais secreto,
Saindo das sombras, e sem vontade de aparecer,
Quase que obrigado, iluminado por decreto,
Como se a vontade de escrever sumisse ao momento que eu não sumo,
Em suma me perdi de tudo que acreditava,
Consumi as dores com palavras,
A felicidade não completa é a completa felicidade,
Incompleto só no segundo que não seguro sua mão,
Levanto do mundo sério porquê nunca precisei de ninguém,
E nesse momento tudo que me vem a mente, é novamente, a sua mão,
E sem desdém, sem piada, e sem cuidado,
Tento não duvidar de quem diz está do lado,
Por onde os maiores perigos chegaram,
Existencia sem essênssia fora da razão,
E não só posso culpar religião,
Posso até culpar um pouco a criação,
Mas a real é que somos responsáveis por nossas emoções,
Só vejo rato de bueiro comendo ração pedrigree,
E cachorro de raça comendo lixo,
Lixo que são os versos dos artistas do século XXI,
E agora já me encontro feliz por ser finalmente o pinto no lixo do século I.

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